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A Laura quer!
[Grupo 23:silêncio!]

foto © Rita Dellile, 2019

FICHA TÉCNICA

 

Direcção Artística

Sílvia Real

Coreografia

Francisco Camacho e Sílvia Real

Cocriação e interpretação

Afonso Ramires, Beatriz Valentim, Gaspar Menezes, Inês Trindade, Jade Mandillo, Luis Odriozola, Lua Areal, Magnum Soares, Miguel Ferreira,

Sílvia Real, Vasco Sequeira e

Violeta Guerreiro

Cocriação e investigação

Simone Andrade

Texto original

S.S.Pelágio

(Laura Quindler, a Harpista)

Direcção musical

Ana Sofia Sequeira

Assistentes de direção musical

Jasmim Mandillo e Vasco Sequeira

Composição musical e

interpretação ao vivo

Afonso Minderico, André Ferreira,

Jade Mandillo, Sofia Pelágio e

Vasco Sequeira

Banda sonora

Indigo (Indigo), de Bernardo Sassetti; Elétrica Cadente (Vol.1), de Dead Combo;

Édification en forme de
Ogives (Harmories), de Joana Gama, Luís Fernandes e Ricardo Jacinto; Desconhecido (Rush), do Quinteto Mário Franco;
Calma (All the Dreams), de Sara Serpa e André Matos

Figurinos e adereços
Carlota Lagido

Direção técnica e desenho de Luz

Frank Laubenheimer

Operador de luz

Tasso Adamopoulos

Colaboração LGP

Alexandra Marques Fernandes

Comunicação

Susana Ribeiro Martins

Produção executiva

Sofia Afonso

Produção

Produções Real Pelágio

Coprodução

Teatro Nacional D. Maria II

Câmara Municipal de Castelo Branco

Festival Verão Azul

Festival Músicas do Mundo de Sines

APRESENTAÇÕES

 

21 de julho 2019 | 17h

Festival Músicas do Mundo de Sines

27 de out 2019 | 17h

Festival Verão Azul,

Cine-Teatro Louletano, Loulé
31 out - 1 nov 2019 | 19h

Sala Garrett

Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa
8 dez 2019 | 17h

Cine-Teatro Avenida, Castelo Branco

Os mais novos querem ser ouvidos e falar sobre as suas mais profundas inquietações. Da observação dos seus diálogos e dos ecos da sociedade sobre a infância e o crescimento, surgiu a pergunta “O que queres ser quando fores grande?”, sobre a qual se foram lentamente depositando outras questões, não menos desafiantes. A partir desta estrutura sedimentar, definiu-se o gesto: dar a mão a quem habita o incómodo lugar da adolescência.
A adolescência é um tema difícil, não há como o negar. Quisemos muito que o nosso movimento se alimentasse dessa força, e devolver a quem habita esta etapa da vida a possibilidade de se identificar com a nossa “dança”: as dores do crescimento inscritas nos corpos e nos rostos, a luta de cada um com as suas circunstâncias, e na relação com os seus companheiros de viagem.
Enquanto isso, nós adultos, espectadores já esquecidos dessa travessia arriscada, permanecemos expectantes sobre o que resultará deste rito de passagem para um futuro que se insinua não muito risonho... mecânico, pesado, formatado. E no final, lá regressamos nós ao refúgio secreto da infância, esse lugar idílico que já só pode existir na memória de um tempo sem relógio. E é como se nesse exato momento, o espetáculo pudesse recomeçar.

- Imagina que és uma adulta que anda sempre bué triste…
- Eu não quero ser uma adulta triste.
- Eu não quero ser adulta.
- Queres ir para a Terra do Nunca?

Sílvia Real, Susana Ribeiro Martins e Grupo 23: silêncio!

 

No desenvolvimento do espectáculo, tivemos presente a questão da inserção dos indivíduos na ordem social e da procura de fugas para a expressão da individualidade. Assim, surgiram as mochilas como adereço, enquanto peso que as crianças têm de carregar desde cedo, e que implicam a sua pronta inserção num modelo de sociedade, a sua sujeição à norma.
Jovens e adultos vão encontrando oportunidades para se expressarem isoladamente, enquanto se explora a tensão entre eu e os outros, encarados como obstáculo mas também como suporte.
Abordaram-se estruturas de relacionamento social na composição coreográfica, proporcionando que adolescentes e profissionais experimentassem metodologias da dança, sendo que um dos objectivos desta minha colaboração era contribuir para o aprofundamento das questões propriamente coreográficas, de uma maior complexidade ao nível da pesquisa e elaboração de movimento.
Se esta complexidade nem sempre favoreceu uma ideia de leveza, encontrou todavia o seu contraponto nas prestações dos elementos mais jovens, que além de tocarem ao vivo a música que eles próprios compuseram em cocriação, invadem o palco com a sua jocosidade e o deleite de pairar sobre ele.

Francisco Camacho


Tempos de vertigem são tempos de queda. Há sufoco, mas tem de haver alento. Há medo, mas há esperança. Como nos situamos neste momento histórico desafiador? Como exploramos temas potencialmente avassaladores sem esmagar a inocência e a esperança destas crianças e jovens? Precisamos de refúgios de conforto, precisamos de espaços e tempos para parar, para reaprender a ouvir, para poder estar e ser consigo e com o outro. Precisamos de descolonizar mentes e corpos.
Os mais novos carregam consigo a pura energia da indignação, com direito ao sonho e igual direito à raiva. Recusando-se a aceitar a distópica realidade, reimaginam-na de acordo com os seus sonhos mais puros. Precisamos de respeitar a infância, a adolescência, a juventude, a sua autonomia de pensar e poder para construir. A história é mesmo por nós construída. Queremos e cremos numa coexistência sem medos, assente em pilares horizontais de responsabilidade, poder, respeito, identidades, igualdade, liberdade.

Simone Andrade

Começámos por pensar em como fazer música para um grupo de jovens que estava a trabalhar a coreografia. Ouvimos obras de Ligeti, Bério e de Stravinsky a ”Sagração da Primavera”. Vimos partituras de Ligeti, G.Crumb, Xenakis , estudámos as possibilidades de escrita de sons menos habituais, observámos partituras gráficas.
Fizemos partituras gráficas como base para a improvisação e testámos como elas suportavam a nossa memória, nos estimulavam a criatividade, nos davam espaço de liberdade criativa, de improvisação e ao mesmo tempo nos pediam rigor na execução. Escolhemos linhas como matéria de escrita dos nossos sons. observámos vídeos da dança dos jovens/bailarinos e desenhámos linhas a partir dos movimentos dos corpos que depois transformámos em partituras atribuindo-lhes alguns parâmetros de leitura – alturas, volume, densidade, ritmos, carácter. Em seguida juntámo-nos aos bailarinos e improvisámos em conjunto a partir do material que tínhamos escrito em resultado da nossa exploração. Depois gravámos tudo o que nos apeteceu - improvisações com diferentes limites e diferentes formações - queríamos saber como resultavam e queríamos ser surpreendidos. Esta foi a semente e é a raiz da música do nosso espetáculo.

Ana Sofia Sequeira

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