Teatro da Voz acolhe:
Artes em estúdio
Durante vários anos, co-habitámos o Teatro da Voz com a produtora EIRA, que neste espaço deu continuidade ao seu programa Um lugar para a dança, destinado a apoiar coreógrafos e outros artistas, portugueses e estrangeiros, cedendo gratuitamente o estúdio de ensaio para a realização dos seus projectos.

Quando, em 2020, se iniciou um novo ciclo no Teatro da Voz, após a saída da EIRA, as Produções Real Pelágio assumiram o compromisso de manter o Teatro da Voz disponível para acolher, sem custos de aluguer, projetos de artes performativas e artistas que procurem um espaço de ensaio em Lisboa para desenvolver as suas criações. Sempre que possível, promovemos a aproximação entre criadores/ processos de criação e comunidade escolar/ processos educativos, de forma a acrescentar mais uma dimensão ao trabalho de ligação entre as artes e a educação desenvolvido no Centro de Formação Artística.
No âmbito desta iniciativa que nomeámos Teatro da Voz acolhe... Artistas em Estúdio, lançámos em 2023 o Programa de Apoio a Artistas em Residência no Teatro da Voz, um apoio urgente e necessário para muitos artistas que enfrentam dificuldades acrescidas no acesso a recursos que permitam o desenvolvimento do seu trabalho. Este programa anual atribui uma bolsa no valor de 1000 euros (2026) para dois projetos/ artistas seleccionados, e acesso ao espaço de trabalho e equipamento técnico durante um mês no Teatro da Voz, divulgação de um ensaio aberto, e apoio à divulgação da apresentação pública do trabalho/ estreia.
Desde 2023, no âmbito deste programa, já apoiámos 14 artistas/ projetos, entre bolseiros e artistas a quem foi atribuído acesso ao estúdio por um período de duas semanas.
PROGRAMA DE APOIO A ARTISTAS EM RESIDÊNCIA NO TEATRO DA VOZ 2026
.jpg)
2 Residências + 2 Bolsas de Pesquisa/ Criação Artística
Artes Performativas e Cruzamentos
Residência: 25 dias (6h/dia) em estúdio black-box (com PA e colunas)
Período: Outubro e Dezembro 2026
Bolsa: 1000 euros
Privilegiamos propostas de pessoas-artistas, a solo ou em coletivo, cuja prática artística se encontre limitada por quaisquer formas de discriminação, opressão ou violência associadas, por motivos económicos, sociais, identitários ou outros.
Envio de candidaturas: 1 de abril a 15 de maio de 2026 (até 23:59:59)
Anúncio dos projetos selecionados: 30 junho 2026
NOTA DE ABERTURA
Tendo em vista proporcionar condições de trabalho mais favoráveis ao exercício artístico e à fruição cultural em Portugal, o programa de bolsas no Teatro da Voz pretende atribuir anualmente (até 2030) duas bolsas de trabalho e/ou de criação artística em qualquer área das artes performativas, ao mesmo tempo que cede estúdio para ensaios no espaço do antigo Teatro da Graça, atual Teatro da Voz, no bairro da Graça, no centro de Lisboa.
Esta iniciativa visa apoiar pessoas (artistas, investigadores, formadores ou qualquer profissional da cultura) e/ou coletivos, seus projetos, iniciativas, ações ou investigações de caráter profissional, que necessitem de um local de ensaios para a prática de artes performativas.
Serão privilegiadas as pessoas-artistas, a solo ou em coletivo, com ou sem estruturas associadas, em situação de marginalização, por qualquer motivo, seja económico, social ou identitário.
Nota: O Teatro da Voz não tem, neste momento, elevador ou quaisquer meios adequados para o acesso de pessoas com mobilidade condicionada ao estúdio que se encontra no piso inferior.
ARTISTAS E PROJETOS APOIADOS PELO PROGRAMA DE RESIDÊNCIAS E BOLSAS DESDE 2023
2023
Isis Maria é artista circense com especialidade na técnica de malabarismo com Hula Hoops.Estudou na INAC (Instituto Nacional de Artes do Circo) em Vila Nova de Famalicão, e faz partedo núcleo de produção do Encuentro Latinoamericano de Circo LGBTQIA+. Cursou o Profac doCirco Crescer e Viver (2019), o curso da Escola de Palhaços do Circo da Dona Bilica, eProdução Cultural na Faculdade Belas Artes. Foi produtora da Residência Artística EnlaceFlorianópolis 2020. Formou a Companhia Duo Delas (2021), fez parte do Grupo de DançaPedaço (2017-22) e da Casa Ventana.
Em residência de criação no Teatro da Voz, Isis Maria desenvolveu "Fala!", uma performanceintensa e provocativa, que convida o público a refletir sobre os limites que nos são impostos eas formas de superação. Através do circo, a intérprete traduz as lutas internas em movimentosfísicos e emocionais, buscando despertar a consciência e a transformação. O espetáculo éuma experiência visceral e catártica, que nos leva a questionar nossas próprias prisões e aencontrar caminhos para a liberdade.

FALA!, de Isis Maria
Francisco Thiago Cavalcanti (1984), artista brasileiro da dança, do teatro e da performance;atualmente vive em Lisboa onde fundou o coletivo "um cavalo disse mamãe". Seus trabalhospartem da observação, do imaginário, do simbolismo e da pesquisa sobre o comportamento, aética, a gestualidade e a ótica animal.
Em residência de criação no Teatro da Voz, Francisco Cavalcanti desenvolveu o solo dedança-performance acompanhado por uma guitarra 52BLUE, a denominação de uma baleiaque atinge uma frequência sonora de 52 hertz e por isso é obrigada a viver sozinha, poisnenhum outro ser vivo suporta viver ao seu lado. O trabalho parte dessa impossibilidade deconviver com outrem, e gira em torno do individualismo, da solidão e da melancolia, qualidadesde uma era contemporânea sustentada pelo consumismo, o imediatismo, a efemeridade e asaparências.

52BLUE, de Francisco Thiago Cavalcanti
2024
Jo Castro (1988) Artista queer que desenvolve os seus projetos entre a dança, a performance,a voz e o som, tendo apresentado algumas das suas obras em Portugal, França, Bélgica,Alemanha e Brasil. Com um universo criativo essencialmente autobiográfico, envolvendoquestões como a morte, a destruição e a espectralidade que invadem a sua experiênciapessoal e artística, as questões de género são igualmente transversais ao seu percurso numapesquisa de ume corpe que des(re)constrói a sua imagem e opera em estados ENTRE – nolimiar das fronteiras do humano, sem género.
Em residência de criação no Teatro da Voz, Jo Castro trouxe-nos mais um capítulo de LABIA,um projeto de investigação transdisciplinar de natureza processual e transmutante.Apresentado com Francisca Manuel, Lui L’Abbate, Nara António e ROD, o trabalho parte daidentidade queer como força de desestabilização, propondo uma coexistência entre corpos evozes de diferentes áreas que exploram modos de criação partilhada e não hierárquica.

LABIA, de Jo Castro
André de Campos. Cigano. Licenciado em História de Arte e Dança. Bailarino, ensaiador e assistente da direçãona Companhia Olga Roriz desde 2015. Desenhador de Luz em peças de Beatriz Dias, FilipeBaptista, Helena Baronet, Diogo Melo, Violeta Luz e Gaya de Medeiros. Criador deUNDERDOG e SAPO. Leciona movimento e dança em várias instituições públicas e privadas,tais como F.O.R., Estúdios Victor Cordon, Performact, Escola de Teatro de Cascais.
Em residência de criação no Teatro da Voz, André de Campos trouxe-nos “Lançamento”, umapeça que é uma busca, um resgate, um grito, um rito que bate na carne, um bater com pé nochão para fazer levantar a terra e acordar aqueles que por debaixo dela caminham. Uma rotaoceânica, Calunga grande que embala memórias afogadas. Resgatar para relembrar umahistória. Reanimar futuros ainda enterrados.

LANÇAMENTO, de André de Campos
2025
Sofia Kafol. Luso-eslovena, criada e crescida em Trieste, Itália, 1996. Bailarina, coreógrafa, professora eser humano com um sotaque engraçado. Vive o corpo como um arquivo, um lugar dedesconstrução e celebração, numa busca contínua pela emancipação e o prazer.
Em residência de criação no Teatro da Voz, Sofia Karol desenvolveu “VORACE”, uma ode àinsistência que surge nas raízes e vem saboreada na boca. Como ser um corpo que realmentedesejo ser e que vai além do corpo que me é permitido ocupar?Estreia dia 6 de março de 2026, no Auditório Amélia Rey Colaço, em Algés.

VORACE, de Sofia Kafol
Rafa Jacinto diplomou-se em Teatro (ESTC, 2016). Criou “Ad Bestias” (2018), “Chulo(choo-low)” (2019), “Via Crucis” (2021) e “Charlotte Forever” (2023). Estreou-se como intérpreteem “As Cidades Invisíveis” de Alex Cassal (Teatro Maria Matos), e trabalhou com ChristopheMeierhans e Kate McIntosh. Foi intérprete em espetáculos de Cão Solteiro, Teatro Praga, LuísMiguel Cintra, Tiago Bôto & Wagner Borges, Odete, ArDemente, Teatro da Garagem e OsPossessos. Escreveu “A música está na minha cabeça” (Traça, 2023), “Fiz Uma Coisa Má”,(Douda Correria, 2021), “Regime” (Douda Correria, 2020), e “Európio” (Flan de Tal, 2025).
Carolina Cunha e Costa (1993). Formou-se na ACT (2014) e licenciou-se em Teatro (ESTC,2019). No teatro, trabalhou com o Teatro da Cornucópia, Teatro Praga, ESTE estação teatral,Teatro das Figuras, e Teatro Soco. Foi assistente de encenação em "O Nosso DesportoPreferido, Futuro Próximo" (TNDMII, 2019). Recentemente, esteve em cena com "Passos naFloresta" (Teatro da Garagem, 2024) e "Coro das Águas" pela Seiva Trupe (2025). Estreou-secomo co-criadora e intérprete da peça "Bang" (Baal 17, 2024).Em residência no Teatro da Voz, Rafa Jacinto & Carolina Cunha e Costa desenvolverampesquisa para “Duas Ratas”, partindo do conto infantil The Tale of Two Bad Mice escrito porBeatrix Potter em 1904. No conto, dois ratos invadem e destroem uma casa de bonecas aodescobrirem que os alimentos são falsos. A nossa proposta parte desta insurreição simbólicapara investigar a nossa vida enquanto casal queer, em relação aos desafios que enfrentamosna família e na sociedade.

DUAS RATAS, de Rafa Jacinto & Carolina Cunha e Costa



