Bute-bute
Bute-bute revisita os sapatos que dançam, numa coreografia cheia de humor, a partir de gestos do quotidiano e outros, ao som da suíte Nº 3 de J. S. Bach. Em 1991, em conjunto com duas peças de outros três coreógrafos (Me Myself and Influências, de Aldara Bizarro, e Bimarginário, de Mónica Lapa e Francisco Camacho), Bute-bute integrou um programa de coreografias produzido pelo grupo Criatura, com apresentações em Oeiras e em Vila Franca de Xira.

FICHA TÉCNICA
Coreografia
Sílvia Real
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Bailarinos
Sílvia Real e Francisco Camacho
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Figurinos
Ana Teresa Real
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Música
Bach Suite nº3
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Cenário
Luís Filipe Quitas
Em 2002, Sílvia Real e Francisco Camacho regressariam a Bute-bute, para uma re-apresentação, no Teatro Municipal Maria Matos, no âmbito do programa de homenagem a Mónica Lapa (1965-2001).
Francisco Camacho recorda esta colaboração inicial com Sílvia Real, nas palavras que se seguem:
"Depois da estreia de “Bimarginário”, em 1990, a minha saudosa co-criadora Mónica Lapa propôs que o dançássemos num programa com mais duas coreografias, um solo da Aldara Bizarro e um dueto da Sílvia Real. Estando nós nos primórdios da dança contemporânea em Portugal, a ideia de fazer digressões era uma ousadia. Mas era o que este programa pretendia e, para isso, havia que reduzir os custos ao máximo. A solução ideal era que eu dançasse com a Sílvia o seu "Bute-bute”, e assim foi! O trabalho implicava manter-me em uníssono com a Sílvia, cumprir o movimento que era todo marcado ao milímetro, seguir as contagens da partitura de Bach, e fazer várias rodas de seguida, tudo proezas em que nunca fui hábil. Felizmente era a primeira coreografia do programa e, enquanto a Aldara se apresentava, eu recuperava o fôlego e preparava-me para o dueto com a Mónica, em que tinha mais margem de improvisação, podendo ceder à inspiração do momento, já superado o estimulante desafio do "Bute-bute".
Quem diria que uma vez desembaraçados daquele par de botas, os meus passos e os da Sílvia se iriam cruzar uma e outra vez, num carrossel de colaborações, que ainda agora vai conhecendo novas formas. Bute? Bute! Aqui vamos nós outra vez."
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Francisco Camacho (abril, 2021)
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