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Jeremias Fisher
de Mohamed Rouabhi (versão portuguesa de Luís Rodrigues)ópera composta por Isabelle Aboulker encenada por Sílvia Real

“Esta história é para as crianças solitárias. Ou que se tornarão um dia”É esta a dedicatória que Mohamed Rouabhi escreve na sua peça Jérémy Fisher. Uma forma comovedora de introduzir a história deste menino, filho de uma família de pescadores que nasce sob o signo de peixes e que de metamorfose em metamorfose se vai transformando num menino peixe, até chegar a hora de ir finalmente viver para o Oceano.

Trata-se de uma ópera de câmara da compositora francesa Isabelle Aboulker (2007), que tem dedicado grande parte da sua obra ao público mais jovem, aqui apresentada na versão portuguesa do barítono Luís Rodrigues. Dotada de uma simplicidade, poesia e profundidade arrebatadoras, com uma música de uma grande beleza, esta ópera marca o arranque do ciclo Público do futuro, dedicado à sensibilização dos mais jovens e respectivas famílias para a ópera, na estreia em encenação de ópera da coreógrafa Sílvia Real.

Encerra uma mensagem fortíssima sobre a liberdade e o preço de se ser diferente, iniciática às vicissitudes da vida e ao oportunismo à espreita, e sobre o nosso crescimento, transformação, aceitação e respeito. É preciso muito amor e inteligência por parte dos pais para o aceitarem como ele é – diferente de todos os outros meninos e ainda mais, para aceitarem que o têm de deixar partir, uma metáfora para a transformação que todos nós sofremos ao longo do crescimento, em que deixamos de ser crianças dependentes dos nossos pais, para sermos adultos que precisam de partir para a sua própria vida.

 

**sinopse incluída no folheto do espetáculo, OPERAFEST 2022

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Crescemos entre saltos e quedas, por vezes somos surpreendidos por momentos divertidos. Olhamo-nos ao espelho e percebemos que o nosso corpo sofre mutações mirabolantes. Os corpos transformam-se e essa metamorfose envolve também os pensamentos. E nós, adultos, o que fazemos para acompanhar as crianças neste processo?

Sou mãe há 19 anos e tenho construído vários espetáculos em cocriação com crianças e jovens, onde procuro que opções estéticas sirvam propostas de reflexão sobre as desigualdades do mundo em que vivemos, mas sobretudo, propostas de ação ao nosso alcance para as combater.

Mohamed Rouhabi, para além de escritor, encenador e actor, dedicava-se aos trabalhos manuais. Esta referência levou-nos à escolha da madeira como material base para a cenografia desta ópera. Queríamos um cenário que se fosse transformando, tal como Jeremias. O que parece às vezes não é… é um efeito que gosto de explorar nos meus espetáculos, e aqui encontra novas leituras também nos figurinos.

Por fim, destaco a ideia de separação, uma espécie de instante decisivo quando, como mães/pais, educadoras/es e artistas a trabalhar com crianças e jovens, percebemos que chegou a altura de deixá-las/os ir… Esta ópera é para mim uma celebração desse momento único, um salto tão assustador quanto libertador. E assim crescemos, jovens e adultos.

Sílvia Real (texto incluído no folheto do espetáculo, OPERAFEST 2022)

FICHA TÉCNICA

Libreto

Mohamed Rouabhi

Versão portuguesa

Luís Rodrigues

Composição musical (ópera de câmara)

Isabelle Aboulker

 

Encenação e Coreografia

Sílvia Real

Co-criação e Coreografia

Filipe Baracho, Susana Domingos Gaspar

Cenografia

Mariana Ramos

Figurinos

Ainhoa Vidal

Desenho de luz

Sérgio Moreira

 

Elenco

André Henriques (Tom)

Mariana Fernandes (Jody) 

Luís Rodrigues (médico)

Pedro Portas Fontes (narrador e vendedor de piscinas)

Pedro Almeida e Guilherme Chantre (Jeremias)

 

Coro infantil do Operafest Lisboa

Alice Santos, Carolina António, Clara António, Constança Campos, Gabriel Marques, Guilherme Chantre, Joana Almeida, Pedro Almeida, Maria Teresa Nunes, Noah Freire, Pedro Ribeiro, Teresa Falcão, Unai Hernandez, Vicente Pereira

 

Quarteto Ensemble MPMP

Rui Antunes (violino I)Teresa Jesus (violino II)Leonor Fleming (viola)Nuno Cardoso (violoncello)

 

Maestro e ensaiador musical

Gustavo Lopes

Co-repetidora 

Raquel Pires

 

Agradecimentos

Adriana Melo, Magnum Soares, Sofia Sequeira, Ariana Furtado, Ivo Geada, Nonora, Theo Vidal e Zoe Vidal

APRESENTAÇÕES

Lisboa

Operafest Lisboa

Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga

1 a 3 de setembro de 2022

 

A associação cultural Produções Real Pelágio foi fundada em 1997 por Sílvia Real e Sérgio Pelágio, está sediada em Lisboa, e promove a criação e formação artística e a educação pelas artes. É uma estrutura financiada por

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