Lost ride
de Sílvia Real & Francisco Camacho
Francisco Camacho e Sílvia Real foram já intérpretes um do outro. Ela convidou-o para dançar ao seu lado Bute-bute, apresentado pela última vez na homenagem a Mónica Lapa (2002), e foi intérprete dele em LIVE/EVIL (2005). Aquele espectáculo foi uma etapa na cumplicidade que vinha de antes e que continuou a crescer. Intercalando a atividade de directora/coreógrafa com a de intérprete, Sílvia Real planeava voltar a ser dirigida por alguém. Convidou Francisco Camacho, considerando o seu interesse pela direcção de intérpretes de Camacho e em particular pela sua abordagem ao movimento.
No formato de solo que ambos têm privilegiado, desafiam-se a trabalhar também em função das diferenças que identificam nas suas propostas. A eles juntam-se Sérgio Pelágio, Carlota Lagido e Frank Laubenheimer. O espectáculo nasce da reunião destes criadores e da articulação das suas distintas práticas artísticas.
Dedicado a Mónica Lapa. *
*sinopse incluída no programa sazonal da Culturgest,
abril-agosto 2011
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Em Lost Ride as figuras criadas por Sílvia Real confrontam-se com o espaço físico e psíquico que as constrangem. Estão num espaço artificial e construído, sendo reforçada a ideia de fabricação. Este é um mundo em que já não é possível uma suposta “ordem natural das coisas”. O orgânico e o inorgânico hibridizam-se, devoram-se, deglutem-se. Lost Ride habita na tensão, na ilusão das dicotomias e sobre elas oferece a possibilidade de canibalismo. A proposta deste espectáculo implica o desvelar de estruturas contraditórias e uma aproximação às vidas psíquicas. E à sua ausência e condições de possibilidade.
As figuras em cena traduzem modos de estar progressivamente incompatíveis e precários na sua enunciação. Como se a definição das figurações implicasse forçosamente a incorporação do próprio contexto que a torna possível. Trata-se de habitar e não apenas de um modo de estar.
Esse habitar traduz-se no desfasamento, implicando a disparidade e o paradoxo entre sentir e exprimir. As sucessivas cenas revelam diferentes camadas, emocionais e físicas, que se ocultam e desocultam. As rupturas, a eclosão, o quebrar das superfícies acentuam a angústia do fim. Ou será que a angústia no habita desde o princípio? Ou ainda que a angústia somos nós?
João Manuel de Oliveira *
*texto incluído na brochura do espetáculo, Culturgest 2011
https://eira.pt/en/eira-tv-2/ [TEASER]
FICHA TÉCNICA
conceção e direção artística
Francisco Camacho
cocriação e interpretação
Sílvia Real
música original
Sérgio Pelágio
luz e direção técnica
Frank Laubenheimer
figurinos
Carlota Lagido
cenografia
Eric da Costa
assistente de direção
Tiago Cadete
apoio dramatúrgico
João Manuel de Oliveira
produção
EIRA & Real Pelágio
coprodução
Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest, Teatro Cine de Gouveia, Festival Citemor, Cine-Teatro São Pedro (Alcanena), Centro de Artes de Sines
agradecimentos
Leonel & Bicho Lda., Teatro Nacional D. Maria II
APRESENTAÇÕES
Alcanena (antestreia)
Cine-Teatro São Pedro
28 de maio de 2011
Lisboa
Grande Auditório da Culturgest
1 e 2 de junho de 2011
Montemor-o-Velho
Festival Citemor
Castelo de Montemor-o-Velho
31 de julho de 2011
Coimbra
Teatro Académico de Gil Vicente
19 de outubro de 2011
Sines
Integrado nas comemorações do Dia Mundial da Dança
Auditório do Centro de Artes de Sines
2 de maio de 2012



